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Coragem ou covardia?

Incorporou-se ao jargão popular classificar a atitude extrema de cometer o suicídio como ato de covardia ou coragem. Comungo da ideia de não ser possível considerar como ato de coragem a tresloucada decisão de interromper a própria vida. Na verdade, há de se considerar ser, sim detentor de auto grau de covardia, afinal, abandonou ou não se interessou por aconselhamentos próximos capazes de desestimular o cometimento do tresloucado gesto, assim como não se interessou tão importante ferramenta disponível, representada pelo Centro de Valorização da Vida, atuante desde 1962 como associação civil, sem fins lucrativo, votado exclusivamente para a filantropia, cuja árdua luta principal concentra-se exatamente na prevenção de vidas. Nestes tempos de pandemia a imprensa setorizada mostra claramente a crescente evolução da prática de suicídios, especialmente vitimando homens, alguns detentores de status social e funcional, cuja razão maior a própria razão jamais conhecerá. Na verdade, tais práticas carecem de uma investigação aprofundada, o que, convenhamos normalmente não ocorre nos moldes como são tratados os homicídios e demais crimes graves previstos pelo estatuto penal brasileiro, considerando se objeto de puro e simples relatório conclusivo para suicídio. Tais ocorrências de cunho fatal não desperta o interesse pela identificação de eventuais co-partípes, ou seja, nenhuma ordem de missão é expedida no sentido de aflorar a identidade de possíveis instigadores determinantes para a consumação da tragédia. Afinal, quem pratica o suicídio, ignorando o sofrimento dos seus, abrindo mão do dever de enfrentar os revezes da vida deve ser taxado de corajoso ou covarde? Com a palavra os senhores e senhoras do arbítrio. Sob nossa ótica o suicídio é algo que revela a autonomia da decisão de alguém que chegou às vias de fato, independentemente da coragem ou da covardia.

Delegado Mourão


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