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Orfandade precoce

Os governantes que detiveram as rédeas deste país anos a fio, jamais demonstraram qualquer interesse em melhorar as condições sanitárias disponíveis neste pais de ricos e excluídos. Vivemos sob uma tormenta sem precedentes em termos de saúde, projetando uma orfandade devastadora, representada pela perda de homens e mulheres, pais e responsáveis hoje atingindo a assustadora marca próxima de 400.00 vidas perdidas sem ao menos desfrutar do direito a uma despedida decente e justa. Outrora já vivenciamos situação idênticas, representadas por pandemias determinantes de tantas mortes comparadas como a que atingiu a cidade de Atenas no verão de 430 AC, perdurando por quatro anos seguidos, dizimando um terço de população estimada em 200 mil habitantes, tudo de conformidade com o relato do historiador grego Tucídides. O que será do futuro de milhares de órfãos que perderam seus entes queridos mais próximos durante a pandemia da Covid-19? A quem cabe a responsabilidade por tantas vidas perdidas e que certamente os marcará para o resto da vida? Foram órfãos da Covid-19, tais como os vitimados pela gripe espanhola ocorrida no período de 1918 a1919 que matou mais de 50 milhões de pessoas, vitimando principalmente jovens adultos entre 20 a 30 anos, sem nenhuma explicação sobre a origem de tão temível doença. Afora esse drama de vida real, este pais que em tempo algum respeitou os menos favorecidos, registra, segundo o Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Acolhidos, órgão vinculado ao Conselho Nacional de Justiça, até meados de 2020 a espantosa soma de 47.369 crianças e adolescentes, abandonadas e em situação de acolhimento no país, traduzindo numa orfandade de pais vivos que jamais assumiram suas responsabilidades, dentre elas o sagrado direito de reconhecer sua prole. Lamentavelmente homens e mulheres, capazes de abandonar seus filhos à própria sorte deveriam pagar no fundo de uma infecta cadeia o mal causado a uma sociedade já carente e faminta. Para isso, entretanto dependeríamos de parlamentares sérios, honestos e comprometidos de fato com o bem-estar da comunidade que sufragou nas urnas seu nome em um processo eleitoral. Não. Nada disso lhes interessa. Que se lixe o povo sofrido, faminto, sem escola, sem direito à moradia digna, sem saúde decente, sem saneamento básico, vivendo como nômades, ocupando casebres indignos até para servir de abrigo para suínos. Para essa cambada de párias e patifes Interessa apenas o vil metal, venha ele de onde vier, melhor ainda se tiver origem no bas-fond.

Delegado Mourão


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